quinta-feira, 1 de novembro de 2012

MACONHA

Duas convicções em relação à maconha vêm caindo por terra nos
últimos 30 anos. A primeira é de que o abuso dessa droga não
acontecia como um problema primário. A segunda é de que ela

não provocaria uma verdadeira síndrome de dependência.

Desde os anos 80 está comprovada a síndrome de abstinência
da maconha, com sintomas que se iniciam nas primeiras 24
horas após a interrupção do uso, com sintomas de ansiedade,
irritabilidade, agitação, alterações do sono, diminuição do apetite,
pesadelos, dores musculares, taquicardia e cefaleia.

A necessidade de tratamento para pacientes com problemas
relacionados à maconha tem aumentado em todo o mundo.
Nos EUA, entre 1992 e1998, a porcentagem de admissões para
esses pacientes foi de 23%, aproximando-se das admissões por
problemas relacionados à cocaína, que ficou em 23%.

O manejo medicamentoso para usuários de maconha permanece
focado nos estados de intoxicação aguda, nas psicoses induzidas
por maconha (psicose cannabínica) e na busca por comorbidades
psiquiátricas. São boas opções para controle de depressão e
ansiedade o uso da medicação antidepressiva FLUOXETINA
(Prozac, Daforin, Fluxene) e do ansiolítico BUSPIRONA
(Ansitec, Buspar), ambos com estudos comparativos mostrando
diminuição do consumo nos grupos tratados em relação aos
grupos que receberam placebo.

COCAÍNA/CRACK

Apesar da intensa pesquisa dos últimos anos, ainda não há
medicamento algum aprovado para o tratamento da cocaína/crack.
Não há sequer uma farmacoterapia sólida com mecanismo de
ação eficaz para tratar os usuários dessa substância para tratar os
usuários dessa substância.

As melhores evidências que temos apoiam-se nas seguintes
medicações:

TOPIRAMATO (Amato, Topamax): Sempre em doses
a partir de 200mg, age na modulação do sistema de
recompensa cerebral. Há estudos que evidenciam uma
redução estatisticamente significativa na intensidade do
craving (fissura) em 25% da amostra.
MODAFINIL (Provigil, Stavigile): Um antagonista dos
canais de cálcio inicialmente aprovado para tratamento da
narcolepsia, que em doses entre 200 a 400mg tem obtido
bons resultados no auxílio à manutenção da abstinência,
embora careça de mais estudos.

Existem tentativas de desenvolvimento de uma VACINA
ANTICOCAÍNA em humanos, que agiria produzindo anticorpos
da droga, sequestrando a mesma da corrente sanguínea e
impedindo ou retardando sua entrada no cérebro. Com resultados
promissores em ratos, mas ainda permanece uma dúvida entre
humanos, uma vez que é incapaz de produzir anticorpos em 30%
dos pacientes vacinados, e os que produzem são de curta duração.

OPIÓIDES

Duas questões são importantes no Brasil: A primeira é que talvez
ainda não tenhamos uma epidemia de heroína no Brasil devido
ao alto custo dessa substância, mas nunca é demais lembrar que
países como a Colômbia já entraram na produção de heroína
(opióide semissintético) e, portanto, a facilidade de acesso no
nosso país aumenta o que é evidenciado pelo acréscimo da
quantidade de apreensões dessa substância feitas pela Polícia
Federal desde 2007.

A segunda é a preocupação com a chamada “dependência
branca”, ou seja, o número de médicos dependentes dessa
substância, em função da facilidade de acesso. Estudos mostram

que em um grupo de médicos de diversas especialidades
envolvidos em um tratamento para dependência química,
22% eram dependentes de opióides, em especial os sintéticos
(meperidina, fentanil,...).

A METADONA (Metadon), um opióide sintético que bloqueia
os efeitos da heroína durante 24 horas e elimina os sintomas
de abstinência, tem uma historia de sucessos provados (com
eficácia e sem perigo) quando se prescreve em concentrações
suficientemente elevadas para as pessoas dependentes de heroína.

Outros produtos aprovados são a NALOXONA (Narcan) e a
NALTREXONA (Revia), que também bloqueiam os efeitos
da morfina, heroína e outros opióides. Como antagonistas, são
especialmente úteis como antídotos. A Naltrexona tem efeitos
em longo prazo que vão de 1 a 3 dias, dependendo da dose. A
Naloxona pode ser usada em situações de intoxicação aguda.

BENZODIAZEPÍNICOS

São eles sem dúvida as drogas psicotrópicas que recebem o maior
número de prescrições. Os pacientes em uso crônico devem ser
devidamente monitorados, e especial atenção deve ser dada aos
dependentes de álcool e outras drogas, em razão dos riscos da
interação dessas substâncias, bem como o risco de desenvolver
a dependência pela substância prescrita. O tratamento pode
contemplar:

A retirada gradual utilizando a própria substância, retirando
25% da dose por semana.
A retirada gradual com substituição de um benzodiazepínico
por outro de meia vida mais longa.

Acrescentar a um dos processos de retirada gradual
escolhido o uso de VALPROATO (Depakene), com o
objetivo de reduzir os sintomas de abstinência e apoiar na
prevenção de recaída.

Os sintomas mais comumente presentes na Síndrome de
Abstinência por Benzodiazepínicos são:

• FÍSICOS: sudorese, palpitações, sudorese, perda de
apetite, náuseas, vômitos, dores musculares.
• PSÌQUICOS: ansiedade, agitação, insônia, perda da
memória e da concentração, irritabilidade, intolerância ás
luzes e ruídos fortes e sintomas depressivos.

ANFETAMINAS/METANFETAMINAS

Assim como no caso da cocaína, pouco ainda se faz do ponto
de vista farmacoterápico na dependência de anfetaminas e
metanfetaminas. O antipsicótico ARIPIPRAZOL (Abilify) e o
estimulante do Sistema Nervoso Central METILFENIDATO
(Ritalina) têm se apresentado como uma promessa interessante no
tratamento.

O TRABALHO DO “CONSELHEIRO” NA ADESÃO AO
TRATAMENTO FARMACOLÓGICO.

ONDE PODEMOS AJUDAR?

O Técnico em Reabilitação de Dependentes Químicos (TRDQ),
ou “Conselheiro”, tem um tempo de convivência com o paciente
muitas vezes maior que o médico que prescreve os fármacos. No
mínimo, em regime de tratamento ambulatorial, essa convivência
é semanal, e pode ser muito mais intensa se o TRDQ estiver
atuando como Acompanhante Terapêutico (AT) do dependente
químico. Portanto suas informações são importantes e podem
ajudar ao médico a identificar sinais de abstinência, uso irregular
ou efeitos adversos e indesejáveis das medicações prescritas.
Como terapeuta, o TRDQ desenvolve sua capacidade de ouvir
e cuidar, e, portanto, está apto a lidar com a ambivalência do
paciente e desenvolver seu interesse pelo uso da medicação.

A não adesão ao tratamento medicamentoso é secundária a um
conjunto de crenças disfuncionais em relação a esse tipo de
tratamento, que geram pensamentos automáticos, a saber:

Os benefícios dos medicamentos são pequenos;
Os efeitos colaterais são insuportáveis;
As medicações não são necessárias;
As medicações são danosas ou fazem parte de uma
conspiração;
As medicações podem mudar a personalidade de quem as
usa;
As medicações podem tornar o paciente dependente;
O custo financeiro não compensa.

O TRDQ pode acessar esses pensamentos através de perguntas,
como:

“Você tem pensado em parar com a medicação?”
“Você acha que a medicação está lhe prejudicando?”
“O que significa para você ter que usar essas medicações?”

SUGESTÕES

1. Confirme com o paciente em todas as sessões se ele tem
usado sua medicação adequadamente.
2. Procure saber sobre a experiência prévia do paciente
com tratamentos medicamentosos.
3. Mantenha-o motivado durante todo o tratamento.
4. Auxilie o paciente a identificar as razões pelas quais não
consegue aderir à medicação e busque soluções práticas.
5. Faça o paciente perceber que ele também é um agente
importante do seu tratamento.
S
6. EMPRE DIVIDA ESSAS INFORMAÇÔES COM
O MÈDICO ASSISTENTE DO SEU PACIENTE OU
COM O MÉDICO RESPONSÀVEL PELA EQUIPE
ONDE VOCÊ ATUA.
Tratamentos Farmacológicos para
Dependência Química

Alessandro Alves

Um dos maiores desafios enfrentados pelos profissionais da
área de saúde é a dificuldade de lidar com a crescente oferta
de informação oferecida por artigos científicos e encontrar
respostas efetivas para uma tomada de decisões. Quando se
fala em farmacoterapia da dependência química, o panorama
não é diferente. O profissional deverá estar atento ao fato de
que em sua esmagadora maioria as pesquisas em relação ao
uso de substâncias psicoativas como medicamentos são feitos
pela indústria farmacêutica e, por mais éticos e humanitários
que sejam seus objetivos, existem grandes chances dos novos
produtos serem anunciados como mais promissores que os já
disponíveis no mercado.

O profissional que atendo ao dependente químico deverá também
lidar com inúmeras outras questões para medicar seu paciente, e
todos esses fatores devem ser considerados, a saber:

Usuários de múltiplas substâncias psicoativas;
Comorbidades psiquiátricas;
Custos da medicação;
Indisponibilidade de medicamentos na rede pública;
Interações medicamentosas;
Patologias clínicas associadas à DQ;
Carência de suporte social/familiar adequado;

• Incertezas e informações “popularescas”;

Por quê e para quê medicar?

1) Tratar as comorbidades:

Dados do Epidemiologic Catchment Área Study (ECA), um
estudo desenvolvido por equipes de pesquisa independentes em
cinco universidades (Yale, John Hopkins, Washington, Duke e
Califórnia) demonstraram que cerca de metade dos indivíduos
diagnosticados com dependência de álcool e outras substâncias
pelos critérios do DSM-IV apresentam um diagnóstico
psiquiátrico adicional: por exemplo, 26% apresentam transtornos
do humor, 28% transtorno de ansiedade, 18% transtornos da
personalidade antissocial e 7% esquizofrenia. A prevalência
de depressão maior entre dependentes químicos varia de 30 a
50%. Adultos com TDAH apresentam prevalência na vida muito
maior para transtornos do uso de substâncias: aproximadamente
33% dos adultos com TDAH apresentam antecedentes de
abuso ou dependência de álcool e 20% deles história de abuso
ou dependência de outras substâncias. Abuso de uma ou mais
substâncias foram relatados por 76% de pacientes com transtorno
da personalidade borderline. Em um estudo realizado na
Universidade de São Paulo, 37,5% das pacientes que procuravam
o ambulatório de transtornos alimentares faziam abuso de
anfetaminas, e o mesmo percentual foi encontrado para aquelas
que preenchiam critérios do DSM-IV para depressão maior. Isso
não pode ser ignorado por nenhum profissional que se propõe
a tratar Dependência Química, pois é comum que o indivíduo
encontre no uso das drogas psicoativas o alívio para seus sintomas
relacionados ao seu outro transtorno de saúde mental.

2) Atenuar/prevenir os efeitos da Síndrome de Abstinência:

Está bem fundamentado que no caso de determinadas drogas o
número de crises de abstinência piora o prognóstico. No caso do
álcool, por exemplo, a medicação correta previne a incidência
de delirium tremens, Com a nicotina, o temor dos efeitos
desagradáveis da abstinência pode ser um fator de complicação
para iniciar o tratamento. Isso pode ocorrer também com outras
drogas. Já na Síndrome de Abstinência Protraída, a medicação
serve para diminuir o craving (fissura) e procurar garantir a
manutenção da sobriedade até que possa haver um retorno à
normalidade fisiológica.

3) Facilitar o engajamento nas intervenções psicossociais:

A farmacoterapia tem lugar importante no tratamento da
dependência química, mas não é e não deverá ser a única
abordagem; e sim deverá agir complementando outras
intervenções psicossociais que buscam melhorar todos os
domínios da vida do paciente. Essas intervenções, como terapia
individual ou de grupo, bem como grupos de mútua ajuda, só são
possíveis se o paciente estiver minimamente equilibrado para
poder frequentar esses espaços e absorver seus conteúdos.

ÁLCOOL

Durante muitos anos as intervenções farmacoterápicas para o
alcoolismo ficaram restritas ao período de desintoxicação e ao
tratamento dos sinais e sintomas da Síndrome de Abstinência
Alcóolica, em caráter muitas vezes emergencial. Lembramos
que nesse estudo levaremos em consideração o tratamento da

Síndrome da Dependência do Álcool, momento em que o Técnico
de Reabilitação em dependência Química (ou Conselheiro) se fará
mais presente.

Apresentaremos as substâncias liberadas pelo FDA para esse
tratamento:

DISSULFIRAM (Antietanol, Sarcotom): Medicação
de propriedade aversiva que causa o chamado “efeito
antabuse”, caracterizado por rubor facial, cefaleia (dor de
cabeça), taquipneia (aumento da frequência respiratória),
precordialgia (dor no peito), náuseas, vômitos e sudorese.
Deve ser utilizado somente com o conhecimento do
paciente.
NALTREXONA (Revia, Uninaltrex): É um antagonista
opióide. Tem como objetivo inibir o consumo de álcool
mediante o bloqueio pós-sináptico de determinados
receptores opióide nas vias mesolimbicas A grande
maioria dos estudos entre 1990 e 2006 mostra-se a favor
da Naltrexona para diminuir o ato de beber pesadamente
e como coadjuvante das intervenções psicossociais na
prevenção de recaídas.
ACAMPROSATO (Campral): Inibidor da atividade
excitatória glutamatérgica. Reduz os efeitos aversivos da
retirada do álcool e também reduz o reforço positivo ao uso
de etanol.

Atualmente o uso da METADOXINA (Metadoxil) tem sido
muito difundido a fim de reduzir a alcoolemia e evitar o tempo de
exposição dos tecidos aos efeitos deletérios do álcool.

NICOTINA

A relação observada entre a dependência de nicotina e o
surgimento de sintomas depressivos durante a síndrome de
abstinência da droga autoriza o uso de medicação antidepressiva
como uma farmacoterapia eficaz do tabagismo. Dentre todos
os antidepressivos já avaliados, os dois abaixo foram os que
mostraram melhores resultados.

BUPROPIONA (Bup, Zyban, Wellbutrin, Zetron): Atua
na inibição da dopamina e noradrenalina. Não tem efeitos
colaterais como disfunção sexual, sonolência e ganho de
peso.
NORTRIPTILINA (Pamelor): Dentre os antidepressivos
tricíclicos existentes, é o que possui menor índice de efeitos
colaterais, com bom índice de aceitação entre os idosos.

TRATAMENTOS COM NICOTINA: Podem vir
em forma de adesivos, pastilhas (Niquitin) ou gomas
(Nicorette). São particularmente mais eficazes quando
associados ao tratamento com Bupropiona.

VARENICLINA (Champix): É um agonista parcial dos
receptores nicotínicos cerebrais que auxiliam na diminuição
tanto da fissura quanto dos sinais e sintomas da síndrome de
abstinência. Muito utilizado e considerado primeira escolha
até 2009, quando foram publicados estudos afirmando que
desde a sua aprovação, em 2006, a vareniclina foi associada
a 98 suicídios e 188 tentativas de suicídio.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Boas Caçadas







Caça Esportiva

África: caça esportiva pode ajudar preservação
As caçadas esportivas podem desempenhar papel essencial na conservação da fauna africana, de acordo com número crescente de biólogos.
Por isso, alguns especialistas estão pedindo um programa que regulamente o setor de caça esportiva africano, para garantir os benefícios de conservação.
De acordo com um estudo recente, nos 23 países africanos que permitem caçadas esportivas, 18,5 mil turistas pagam mais de US$ 200 milhões ao ano para caçar leões, leopardos, elefantes, javalis, búfalos d¿água, impalas e rinocerontes.
As operações privadas de caça nesses países controlam mais de 1,4 milhão de quilômetros quadrados de território, segundo o estudo. Isso representa 22% mais terras do que as dos parques nacionais dessas nações.
À medida que cresce a demanda por terra, devido ao aumento acelerado da população humana, alguns conservacionistas estão argumentando que resultados mais efetivos poderiam ser obtidos por meio da cooperação com os caçadores e da regulamentação sensata desse setor econômico.
As caçadas esportivas podem ser sustentáveis, se administradas cuidadosamente, diz Peter Lindsey, um biólogo especialista em conservação na Universidade do Zimbábue, em Harare, que comandou o recente estudo.
¿A caça esportiva tem importância essencial para a conservação da fauna africana, ao criar incentivos financeiros à promoção e retenção de animais, e como forma de uso de terra em áreas vastas¿, diz.
Na próxima edição da revista especializada Conservation Biology, Lindsey e uma equipe internacional de colegas pedirão por um plano que reforce os benefícios da conservação no setor de caça esportiva, incluindo um programa de certificação que regulamente o setor de maneira mais severa.
"Para justificar a existência continuada de áreas (protegidas) no contexto de uma maior demanda por terra, a fauna tem de pagar pelo seu sustento e contribuir para a economia, e a caça esportiva oferece uma maneira importante de fazê-lo", afirma Lindsey.
A fim de receberem certificados sob o plano proposto pelo biólogo, as operações de caça teriam de provar seu compromisso para com o bem-estar dos animais, a administração cuidadosa das cotas de abate, objetivos de conservação em longo prazo e desenvolvimento das comunidades locais.
"Chegou a hora de o escrutínio científico propiciar o maior benefício possível à conservação, no setor de caça", disse Lindsey.
¿Deveria haver também maiores esforços do setor de caça para adotar auto-regulamentação e garantir que os profissionais inescrupulosos sejam afastados¿, acrescentou.
A caça esportiva tem má reputação nos países desenvolvidos, em parte devido às caçadas indiscriminadas dos antigos colonos europeus, observa Lindsey. A caça irresponsável resultou na extinção de espécies como o quagga (primo da zebra), e conduziu a declínios maciços na população de outros animais, entre os quais os elefantes e os rinocerontes negros.
Mas a caça esportiva também merece crédito por ter facilitado a recuperação de espécies, argumenta a equipe de Lindsey no estudo.
Os rinocerontes negros do sul da África evoluíram de uma população de apenas 50 animais um século atrás para mais de 11 mil, hoje, porque as caçadas deram a criadores um estímulo financeiro para preservar o animal, segundo os autores.
A caça esportiva também levou ao ressurgimento das populações de zebras montanhesas e wildebeests negros na África do Sul, ele afirmou.
Os caçadores tipicamente abatem apenas entre 2% e 5% dos machos das populações animais que tomam por alvo, a cada ano, acrescentou, o que exerce efeito insignificante sobre a saúde reprodutiva das populações.
Muitos grupos de defesa dos direitos dos animais se opõem ao abate de animais por esporte.
¿A idéia da caça esportiva como método de conservação é uma questão extremamente complicada e contenciosa, que gera visões antagônicas de parte de pessoas que alegam, todas, querer o melhor para os animais¿, diz Marc Bekoff, ecologista comportamental da Universidade do Colorado em Boulder e autor de The Emotional Lives of Animals.
Bekoff diz que embora o programa de certificação seja uma boa idéia, ele acha difícil acreditar que viesse a funcionar bem na prática, porque a burocracia necessária a essa regulamentação seria complexa.
¿É difícil acreditar que a situação chegou ao ponto em que matar é a melhor maneira de conservar¿, ele afirma. "É preciso haver alternativas mais humanas".
No final de fevereiro, a África do Sul anunciou um projeto de lei há muito aguardado contra a chamada "caça enlatada", prática que envolve matar os animais dentro de jaulas ou caçar animais que são libertados de uma jaula, sob efeito de tranqüilizantes, pouco antes de serem abatidos.
A proibição entrará em vigor em 1° de junho, sob uma lei que também proíbe caça com arco e flecha.
Capivara

As capivaras vivem em grupos familiares que podem chegar a 20 indivíduos ou mais. Geralmente, o grupo é composto por um macho dominante, várias fêmeas adultas com filhotes e outros machos subordinados. Os machos têm uma grande glândula sebácea sobre a cabeça, que utilizam para demarcar sua dominância através do cheiro. São encontradas próximo da água, em florestas ao longo de rios e em lagoas. As capivaras alimentam-se de grama e também de vegetação aquática. Quando estão em perigo, as capivaras mergulham dentro d'água e nadam sob a superfície até escapar. São excelentes nadadoras e podem permanecer submergidas por vários minutos.
No Pantanal, seus principais períodos de atividade são pela manhã e à tardinha, mas em áreas mais perturbadas podem tornar-se exclusivamente noturnas. Nas décadas de 60 e 70 as capivaras foram caçadas comercialmente no Pantanal, por sua pele e pelo seu óleo que era considerado como tendo propriedades medicinais. Estudos da Embrapa Pantanal indicam que pode haver, no mínimo, cerca de 400 mil capivaras em todo o Pantanal.
Fonte: www.cpap.embrapa.br
CAPIVARA
A capivara é parente próxima dos ratos, preás e coelhos, mas é o maior roedor do mundo e basta ela abrir a boca para se perceber que o animal nasceu realmente para roer.A capivara tem um jeitão de dentuça, com grandes incisivos fortes e amarelos com os quais rói seu alimento, espigas de milho e raízes, principalmente.
Como todo roedor, a fêmea tem muitos filhotes e por isso a capivara não está ameaçada, ao contrário, há tantas, que muitos fazendeiros pedem às autoridades ambientais para que sejam autorizados a matar as capivaras que invadem e estragam suas roças, mas a caça continua proibida. A resposta do Ibama é que os fazendeiros cerquem as plantações para a capivara não entrar e em alguns casos os agricultores já conseguiram que o seguro pagasse o estrago feito por elas.
Não é todo mundo que tem raiva da capivara, entretanto. Há alguns anos a criação em cativeiro desse animal foi bem estudada em universidades paulistas, e atualmente há várias criações comercias que estão tendo bastante sucesso. Nesse caso, os animais podem ter a carne e o couro comercializados.
A criação de capivaras em cativeiro, repovoamento, para carne e couro é realmente fácil. A maior exigência é a da água, usada em banhos constantes. Portanto, antes de começar a criação, é preciso construir os tanques. As capivaras gostam de água corrente. Em último caso, use outro tipo de água, mas troque-a com freqüência, pois é preciso que esteja sempre limpa. Para criar capivaras é preciso de uma autorização do IBDF (Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal) e registro de criador para fins científicos e comerciais.
A carne de capivaras é saborosa, magra, de bom valor nutricional e de baixo custo de produção, quando comparada com outros animais. A carne tem textura semelhante a do porco e valor protéico similar ao da carne de coelho. Pode ser consumida cozida, assada, frita, defumada sob a forma de salsicha, lingüiça e charque. A carne da capivara é muito consumida na Venezuela, sendo apreciada principalmente seca ou em lingüiça.
O couro é usado para canos de botas e calçados, sendo comercializado clandestinamente na Amazônia e em Mato Grosso, apesar de ser proibido por lei. É permitido o comércio de peles de capivaras criadas em cativeiro, desde que acompanhado pelo IBDF.
O óleo da capivara é também aproveitado, sendo considerado um "santo remédio" pelos povos do interior. No Piauí por exemplo, é usado para cura da tuberculose. Em Alagoas, é ótimo em esfregão sobre o nervo ciático (as dores). Atualmente, é comercializado em boticas e lojas de ervas, sendo procurado para tratamento de pele e rejuvenescimento.
Capivara é um nome de origem tupi, que significa comedor de capim (caapii-uara). Portanto, como o próprio nome indica, a capivara é um herbívoro, por excelência, que se alimenta de capins em geral, embora aceitem raízes, milho, mandioca, cana-de-açúcar, bananas verdes e talos de bananeira, aguapé, samambaia, sal, peixes aquáticos etc. Elas utilizam melhor a forragem e os concentrados de coelhos e ovinos, pois possuem grande capacidade digestiva. O estômago digere 10% dos alimentos, o intestino delgado, 3%, o ceco, 74%, e o intestino grosso 13%.
Fonte: www.naturalsul.com.br
CAPIVARA
A capivara é cerca de seis vezes mais eficiente que o bovino na capacidade reprodutora, nas condições naturais dos campos. A ocupação territorial, bem como sua delimitação, é necessária quando se planejam criadouros para exploração extensiva ou em regime de semicativeiro.
O processo de digestão nas capivaras é muito eficiente, destacando sua alta capacidade de digerir alimentos fibrosos.
O ganho de peso está ligado à grande eficiência de conversão de alimento. Nos dez anos de experiência na criação de capivaras em cativeiro, destacam-se alta capacidade reprodutiva (até dois partos ao ano). Conclui-se que o tamanho ideal para um grupo reprodutivo, em cativeiro, é de um macho para seis fêmeas, em 30m2. Em 1977, visando correlacionar dados básicos de aproveitamento do boi e da capivara, efetuou-se no pantanal mato-grossense um trabalho de coleta de informações em condições normais de desenvolvimento da espécie.
No mesmo ano, nos Lhanoa da Venezuela, desenvolveu-se uma pesquisa com cinqüenta animais em condições naturais, com a finalidade de avaliar seu rendimento em carne
Para tanto utilizaram-se o peso da carne em canal (peso total menos cabeça, vísceras e patas) e o peso da carne seca.
Hábitos e comportamento
Na natureza as capivaras vivem em grupos ou famílias, em áreas próximas a rios, brejos e lagos. Dentro dos grupos, existe uma hierarquia muito forte onde há um macho dominante, o mesmo acontecendo com as fêmeas. A capivara é um animal de hábitos semi-aquáticos. É na água que ela defeca e urina na maior parte das vezes. Sua dieta é composta de capins, ervas e plantas aquáticas. Tem hábito de pastejo baixo, onde corta os vegetais sem arrancá-los, causando menor dano aos pastos do que os bovinos.

O Javali

O javali-europeu não pertence à fauna silvestre nativa do Rio Grande do Sul. É uma espécie exótica invasora, nociva aos animais silvestres nativos, à agricultura, à pecuária e ao ambiente. Soltos no campo, eles cruzam com outros porcos, formando espécies híbridas, como o javaporco. Com isso, não há uma estimativa do tamanho do rebanho. A caça do javali é recomendada para controle da espécie onde há prejuízos provocados pela ação do animal.

Relembrando um fato lamentavel


Javali mata caçador em Pedregulho

Um homem morreu após ser atacado por um javali durante uma caçada no final da tarde desta terça-feira, na zona rural de Pedregulho, região de Ribeirão Preto. André Fernandes Pereira chegou a ser levado para a Santa Casa, mas chegou morto. Segundo familiares, Pereira costumava caçar javalis pelo menos uma vez por mês.